Lucas Lima ficou bastante irritado após sentir a coxa esquerda durante a partida contra o Barcelona-EQU, que aconteceu em Guayaquil, no Equador, na quarta-feira (13). O jogador, que foi substituído no segundo tempo, teve uma lesão muscular no membro. Durante entrevista à Fox Sports, o meia santista responsabilizou a longa viagem de 16 horas pelo incidente: “Creio que [a lesão] foi pelo desgaste da viagem. Precisamos rever isso aí. Foi uma viagem muito desgastante para nós. Foram quase 16 horas. Isso é quase desumano”.

Contudo, segundo o especialista em Medicina do Esporte e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, Ivan Pacheco, a viagem não chegou nem perto de ser a responsável pela lesão do atleta: “Não há dados científicos que comprovem que ficar 16 horas dentro de um avião pode ocasionar lesão muscular. Viagens longas podem afetar o rendimento e o sono do jogador, tendo em vista que o fuso horário, muitas vezes, é diferente. Mas só”, explicou.

Pacheco afirmou que há outros fatores que podem resultar nesse tipo de contusão: “Medicamentos, problemas hormonais, virose e sobrecarga são os principais estímulos que levam à lesão muscular. O problema na coxa de Lucas Lima muito provavelmente já estava ali, e a primeira sobrecarga que ele desse à perna faria com que o músculo rompesse. A rotina dos jogadores proporciona essa fragilidade: é treino, jogo, treino jogo... O músculo chega à fadiga”.

Apesar da rotina estressante, há formas de evitar o desgaste do músculo. O especialista explicou que determinados exercícios de reforço excêntrico, se realizados de forma contínua, fortalecem o músculo e evitam que ele se rompa. “A maioria dos exercícios de musculação prevê que o atleta comece o movimento de baixo para cima. Os exercícios de reforço excêntrico fazem o oposto: estimulam o movimento de cima para baixo. Eles são mais incomuns nas academias, por isso os estiramentos acontecem com tanta frequência entre os esportistas", explicou. "Para cada grupo muscular, há diversos tipos de exercício que fazem a contração excêntrica, fortalecendo o músculo. É preciso exercitar”.

Em tom de brincadeira, Pacheco deu uma boa dica para evitar o desgaste de Lucas Lima: “A opção que ele tem é mudar de profissão, melhor ser médico ou jornalista (risos). É compreensível o nível de estresse, essas viagens são desgastantes e os atletas quase não param. Mas foi a opção que ele escolheu, nada na vida é definitivo”, brincou.

O centroavante Ricardo Oliveira também não poupou críticas à diretoria do Santos, que, procurada pelo R7, não se pronunciou sobre as declarações: "Entendo que poderia ter sido bem melhor do que foi [em termos de logística]. Nós já conversamos com a diretoria a respeito disso e eu posso falar, não em meu nome, mas em nome de todo o grupo. Nós sentimos bastante essa viagem, a gente sabe e entende da dificuldade do clube, mas acho que em uma competição tão desejada como a Libertadores, e a gente brigando também no Brasileiro, a gente querendo passar de fase na Libertadores, acho que um esforço de todo mundo é bem-vindo. Eu não estou dizendo que a diretoria não está fazendo esforço nenhum, mas a gente vai cobrar sim. Uma logística melhor, para a gente descansar mais, para a gente dar aquilo que eles esperam da gente".

 

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