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Quem descreve essa experiência e qual impacto ela teve em sua vida profissional é a doutora Fernanda Rodrigues Lima, especialista e mestre em reumatologia e doutora em medicina do esporte pela FMUSP, participante do núcleo de coordenação de residências médicas em reumatologia e medicina do esporte no HC/FMUSP e do Laboratório de Pesquisa em Condicionamento Físico para Pacientes Reumatológicos (LACRE). A doutora Fernanda também é médica do esporte em esportes individuais de endurance, membro do Colégio Americano de Medicina do Esporte e da Sociedade de Medicina do Ciclismo, autora do livro Exercício físico nas doenças reumáticas e de diversos capítulos e artigos sobre exercício do esporte.

 

SBMEE Por que a 17 anos atrás a senhora achou importante ser titulada pela SBMEE quando, até então, nenhuma médica mulher havia obtido o título?

DRA. FERNANDA Naquela época ainda não havia residência credenciada de medicina do esporte. Com isso, a certificação, na forma de título, era uma maneira concreta de documentar o meu conhecimento na área, comprovada após passar por uma prova escrita e avaliação de currículo profissional.

 

SBMEE A senhora acredita que ser titulado pela SBMEE hoje é ainda mais importante do que há quase duas décadas?

DRA. FERNANDA Com certeza! A nossa especialidade evoluiu muito nos últimos anos no Brasil, mas ainda está engatinhando quando comparada a outros países. E para que haja cada vez mais reconhecimento dos nossos pares, dos órgãos públicos, das instituições e confederações esportivas e da sociedade, é necessário nos preocuparmos com a qualidade e a capacitação dos profissionais que vão exercer essa especialidade. O título é uma maneira objetiva de garantir isso. 

 

SBMEE Em que o título de médica do esporte colabora no seu dia a dia profissional?

DRA. FERNANDA Ele deixa o paciente mais seguro, pois sabe que está sendo cuidado por um médico bem formado e com conhecimento específico na área esportiva. 

 

SBMEE Como o título da SBMEE pode colaborar para o empoderamento feminino?

DRA. FERNANDA A mulher não pode ser privada de nada por uma questão de gênero. Quando me titulei, a medicina do esporte era um meio masculino, mas isso começou a mudar já no ano 2000. Mas o caminho ainda é longo, uma vez que temos desigualdade de oportunidade até para nossas atletas femininas, como acontece no futebol e no ciclismo. Além disso, por questões culturais e sociais, as brasileiras ainda precisam ser mais incentivadas a praticar esportes. E acho que cabe às médicas do esporte que estão se formando o papel de ajudar a promover esta mudança.