No ciclismo, os cotovelos funcionam como amortecedores do impacto causado no corpo pelas pedaladas em terrenos irregulares, descidas e subidas. Se os braços ficam tensos e estendidos demais, se as mãos apertam muito o guidão ou há uma torção constante dos cotovelos para trocar as marchas, frear ou fazer manobras com a bicicleta, as articulações podem sofrer sobrecarga e, consequentemente, ser acometidas por dores que caracterizam uma lesão muito comum em ciclistas – assim como em praticantes de golfe e tênis – chamada epicondilite. Saiba mais sobre o problema e como prevenir a dor no cotovelo após pedalar.

O QUE É

A epicondilite é uma inflamação — ou tendinite — decorrente de sobrecarga nos tendões dos músculos extensores originários do epicôndilo — proeminência óssea que dá forma ao cotovelo —, responsáveis pela movimentação dos punhos e das mãos. Ela ocorre inicialmente por meio de microlesões na origem da musculatura extensora do antebraço, sendo mais frequente a ocorrência no tendão extensor radial curto do carpo, localizado abaixo do extensor radial longo do carpo. É caracterizada por dor na região do epicôndilo — lateral ou medial —, que se estende ao dorso do antebraço.

CAUSAS

Ciclistas com a musculatura do antebraço fraca são mais suscetíveis à dor no cotovelo após pedalar, e consequentemente à epicondilite. Esticar demais os cotovelos ou manter os braços muito tensos durante as pedaladas também pode contribuir para a sobrecarga dos tendões do cotovelo, assim como movimentos repetitivos com o punho e os dedos — frenagem e troca de marchas, no caso dos ciclistas.

DIAGNÓSTICO

A dor na região do epicôndilo é o principal sinal do problema. Essa dor costuma estender-se ao dorso do antebraço, impossibilitando a pessoa não só de praticar o esporte, mas também de executar atividades laborativas e da vida diária. São dois os tipos de tendinite que podem acometer o cotovelo dos ciclistas. A dor situada na parte externa, sentida ao fechar o punho ou levantá-lo para cima, indica inflamação nos tendões do epicôndilo lateral. Se a dor for na parte interior do cotovelo, identificada ao girar os pulsos para cima e para baixo, a lesão se localiza nos tendões do epicôndilo medial.

TRATAMENTO

Ao identificar essa dor no cotovelo após pedalar, a orientação é procurar um médico especializado para confirmação do diagnóstico e orientação clínica. O tratamento da epicondilite prevê repouso do braço por pelo menos duas ou três semanas, aliado a compressas de gelo na parte externa do cotovelo de duas a três vezes por dia, além de fisioterapia, fortalecimento e alongamento da musculatura específica. Se não tratada adequadamente, a lesão pode acarretar dor crônica, limitação dos movimentos e contração duradoura do cotovelo.

PREVENÇÃO

Antes de qualquer coisa, procure um bike fitter para um ajuste preciso da sua posição sobre a bike, o que não só evitará lesões nas articulações, mas também proporcionará maior conforto e eficiência na pedalada. Ao pedalar, segure o guidão mantendo os cotovelos ligeiramente flexionados e os ombros para baixo, relaxados, evitando tensão no pescoço. Os pulsos devem ficar em linha reta e o queixo, dobrado. Mantenha sua coluna em uma posição neutra e as costas retas. Certifique-se ainda de que as marchas e os freios da sua bike estão em uma posição confortável para não forçar excessivamente os pulsos e cotovelos ao acioná-los. A seguir, o fisioterapeuta e bike fitter Fernando Rianho indica alguns exercícios de fortalecimento e alongamento dos músculos do antebraço que ajudarão a prevenir a dor no cotovelo após pedalar.

Alongamento

Músculos extensores do punho

Estique o braço à frente do corpo (altura do ombro) com a palma da mão voltada para baixo. Realize a flexão do punho puxando-o com a outra mão. Mantenha o alongamento por 30 segundos. Faça três repetições com cada mão.

Músculos flexores do punho

Estique o braço à frente do corpo (altura do ombro) com a palma da mão voltada para cima. Realize a extensão do punho puxando-o com a outra mão. Mantenha o alongamento por 30 segundos. Faça três repetições com cada mão.

Fortalecimento

Músculos extensores do punho

Apoie o antebraço em uma superfície estável (mesa ou banco), com a palma da mão voltada para baixo e o punho em flexão (relaxado) fora da superfície de apoio. Realize vagarosamente a extensão do punho segurando um halter (peso) e volte à posição inicial. Faça três séries de 15 a 20 repetições, intercalando os braços entre as séries. Atenção para não exagerar no peso do halter!

Músculos flexores do punho

Apoie o antebraço em uma superfície estável, palma da mão voltada para cima e punho em extensão (relaxado) fora da superfície de apoio. Realize vagarosamente a flexão do punho segurando um halter e volte à posição inicial. Faça três séries de 15 a 20 repetições, intercalando os braços entre as séries. Atenção para não exagerar no peso do halter!

 

(Fontes: Dr. Ricardo Munir Nahas, especialista em medicina do esporte e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte; dr. Lafayette Lage, médico ortopedista e traumatologista, especialista em medicina do esporte; e dr. Roberto Ranzini, ortopedista e médico do esporte pela Faculdade de Medicina da USP, além de membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia)

Artigos Similares