Representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM), Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e do Exercício (SBMEE) e das principais autoridades esportivas e de controle de dopagem do País participaram, nesta sexta-feira (11), do IV Fórum de Medicina do Esporte do CFM.

O tema da pauta – o que o médico deve saber sobre medicamentos e suplementos nos exercícios e esportes – foi explorado pelos participantes em análises técnicas, jurídicas, éticas e inclusive em discussões de casos reais e saanálises clínicas.

Para Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti, coordenador da Câmara Técnica de Medicina do Esporte da autarquia, a intenção do evento foi contribuir para que os médicos atuem de acordo com o especificado para um ato médico seguro. Uma das ferramentas para atingir este fim será o guia prático lançado no evento, com orientações objetivas, sobre os riscos do doping causado pelo uso de medicamentos e suplementos.

Além do CFM e sociedades de especialidades, participaram da concepção do documento representantes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD). Eles também compareceram ao evento para participar das discussões e apresentar o material.

Marcelo Bichels Leitão, presidente da SBMEE enalteceu o trabalho do CFM e lembrou que a questão do doping perpassa, além de aspectos médicos, questões sociais e de ética, já que os "atletas são exemplos para a juventude" e o doping interfere negativamente no seu papel social.

Os critérios para concessão de uma de uma Autorização de Uso Terapêutico (AUT) dentro do Brasil, no âmbito da autoridade brasileira, foi um dos destaques da programação. O tema foi abordado pelo presidente da Comissão de Autorização de Uso Terapêutico da ABCD, José Kawazoe Lazzoli. Ele mencionou algumas exigências para essa concessão, como não haver nenhuma outra alternativa terapêutica para a substância ou método proibido e seguir indicação clínica baseada em evidências científicas. O especialista lembrou ainda a responsabilidade dos médicos ao prescreverem para atletas, até mesmo médicos que tratam de problemas específicos, como um oftalmologista, por exemplo.

Além desse tema, constaram na pauta os cuidados para prescrição; detalhamento de substâncias e métodos proibidos; suplementos alimentares e produtos naturais; influência das redes sociais para a busca de performance, de reconhecimento e consequente uso de substâncias proibidas; exame antidoping para atleta amador; riscos à saúde, efeitos negativos e colaterais de anabolizantes e esteroides, da eritropoietina e somatotrofina (GH e EPO), de diuréticos e estimulantes, e de narcóticos; e responsabilidade ética, civil e criminal do médico e outros membros do staff do atleta.

Emmanuel Fortes destacou que os encaminhamentos continuarão no âmbito dos trabalhos da Câmara Técnica de Medicina do Esporte, que tem como missão "trazer à luz as questões da especialidade de forma bastante objetiva".

 

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