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O doutor Carlos Mendonça, médico do clube catarinense, fala sobre sua difícil atuação no acidente aéreo que aconteceu na Colômbia e vitimou 71 pessoas e deixou seis feridas, dentre elas, atletas da Chapecoense, jornalistas e convidados da delegação

 

-- As dificuldades iniciais “As informações imprecisas sobre o local do acidente e das condições em que se encontravam as vítimas nos levou a organizar uma força-tarefa com médicos multidisciplinares de Chapecó. Até aquele momento, não sabíamos quais eram as reais condições do resgate, o número de sobreviventes nem o suporte médico local e tivemos que controlar os parentes das vítimas, já que muitos queriam viajar conosco.

Na Colômbia, os sobreviventes foram levados para hospitais diferentes, o que nos obrigou a percorrer três municípios e lidar com condutas médicas distintas, o que acabou atrasando a avaliação.

Acredito que o ponto crucial foi termos conseguido a transferência dos sobreviventes para um único hospital e com melhor estrutura, facilitando a logística do atendimento médico. A ida de advogados do clube e de papiloscopistas da Polícia Federal de Brasília também foi fundamental para a liberação e a identificação dos corpos.”

    

-- Logística de atendimento “Além da transferência dos sobreviventes para um único hospital, a presença de vários médicos brasileiros de inúmeras especialidades foi de suma importância para a discussão dos casos e ajuda na tomada das decisões junto com os médicos colombianos. Houve bastante diálogo e compreensão de ambas as partes, pois, muitas vezes, não havia concordância nas condutas, que foram sanadas depois de muitas conversas.”

 

-- Lições aprendidas “Acredito que a formação de um corpo clínico médico emergencial foi a melhor solução para esse caso. Perdi inúmeros amigos no acidente, em especial o Dr. Márcio Bestene Koury,sendo que muitos deles considerava como irmãos, e, às vezes, fico pensando e não sei como consegui atuar naquele momento tão desesperador. Aprendi muito com os exemplos de solidariedade e amor do povo colombiano e acredito que saio dessa tragédia como um ser humano melhor e mais atento às coisas importantes da vida.”

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