NOTA
OFICIAL À IMPRENSA
1)
A Diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício
e do Esporte (SBME) vem a público lamentar a
ocorrência do recente caso de doping envolvendo
cinco atletas da equipe nacional que disputará
o Campeonato Mundial de Atletismo, em Berlim.
2)
Cabe esclarecer ao público leigo que a substância
Eritropoietina recombinante humana (conhecida pela sigla
EPO) é considerada doping, além de ser
um medicamento cuja indicação mais freqüente
é o tratamento de anemia grave em pacientes portadores
de insuficiência renal crônica, condição
clínica que é incompatível com
o esporte competitivo. Assim, não haveria justificativa
médica para o seu uso em atletas de alto rendimento.
3) Esta substância é liberada pela ANVISA
para uso clínico e sua venda em todo o território
nacional só pode ser realizada mediante prescrição
médica. Desta forma, causa espécie o fato
dessa substância supostamente ter sido “prescrita”
e administrada por um profissional não médico,
o que poderia caracterizar exercício ilegal da
Medicina. A SBME externa, ainda, a sua profunda preocupação
pelos mecanismos possivelmente tortuosos que permitiram
que uma substância com essas características
tenha sido adquirida e administrada nesses atletas.
4)
Fatos como esse, que acabam por afetar de forma irremediável
a carreira de diversos profissionais ligados ao esporte,
reforçam a necessidade da presença de
um profissional especializado em Medicina do Esporte
ligado diretamente às confederações
e às equipes desportivas, como integrante da
equipe multidisciplinar.
5) Reafirmamos o compromisso da SBME com o exercício
e o esporte como instrumentos de promoção
da saúde e com a defesa incondicional do conceito
de “jogo limpo”.
6)
Parabenizamos a Confederação Brasileira
de Atletismo e a Rede Atletismo pela pronta atitude
manifestada em Nota Oficial e expressamos a nossa confiança
nas autoridades responsáveis pela apuração
desses fatos, para que uma ocorrência tão
obscura e tão lamentável para o esporte
nacional e internacional não volte a ocorrer
jamais.
Diretoria
da SBME
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