Missão-prevenção

O ortopedista e traumatologista Ivan Pacheco, médico do esporte e diretor da SBMEE, esclarece como a medicina esportiva está totalmente alinhada com as tendências atuais, de buscar viver mais e melhor, e como o especialista pode se beneficiar de tudo isso.

 

SBMEE Muita gente acredita que a medicina esportiva é uma especialidade nova e que o paciente ainda não a conhece ou não entende como pode se beneficiar dela. Qual a sua posição sobre isso?

IVAN PACHECOQuanto engano! A especialidade já tem vários anos, vem da década de 1940, e a primeira sociedade de medicina do esporte foi criada na Alemanha no início do século 20, por volta de 1910. O problema é que a especialidade foi pouco divulgada e seu nome acabou sendo usurpado por outras especialidades, como a traumatologia. Prova disso é que durante anos no futebol o sinônimo de medicina do esporte era um traumatologista atuando nos clubes. Como se isso não bastasse, a medicina do esporte sempre trabalhou bastante focada em prevenção, por isso não teve nem tem muito apoio de setores como as indústrias cirúrgicas e farmacêuticas, que preferem especialidades mais curativas.

 

SBMEE Diante disso, de que maneira a especialização em medicina esportiva pode valorizar o profissional, seja ele médico, fisioterapeuta, educador físico ou psicólogo?

IVAN PACHECO Pelo simples fato de que as pessoas de todo o mundo estão mudando sua visão a respeito de prevenção e cura de doenças. Ninguém quer ficar doente. E como a especialidade, apesar de também ser curativa, mira em prevenção, ela oferece uma grande oportunidade para os especialistas das mais diversas áreas de atuação.

 

SBMEE A medicina esportiva pode ser melhor aproveitada por atletas profissionais ou amadores do que por meros praticantes de atividade física ou pessoas que desejam sair do sedentarismo?

IVAN PACHECO Não mesmo! Consultar um médico do esporte oferece ao paciente principalmente o benefício da prevenção. Afinal, esse profissional tem uma noção muito grande de todas as áreas ligadas ao esporte, como, por exemplo, a endocrinologia, a traumatologia e a cardiologia. Esse especialista tem capacidade de orientar a melhor maneira da pessoa fazer exercício e de escolher a melhor atividade para ela com base na promoção da saúde e prevenção de doenças.

 

SBMEE O senhor acredita que a especialidade está alinhada às tendências de longevidade e melhora da qualidade desse maior tempo de vida?

IVAN PACHECO A ciência já mostrou que o sedentário tem uma longevidade menor. Claro que o prolongamento da vida também está ligado a questões genéticas. Porém, já está comprovado que o exercício é um dos fatores que prolongam o número de anos vividos e a qualidade deles, o que ajuda, inclusive, a estimular que atualmente a gente encontre tantas pessoas de 70, 80 e até 90 anos fazendo atividade física.