Estudo
contesta eficácia de massagem após exercício
Pesquisador sugere repouso como melhor forma de recuperar
o músculo exercitado
Bruno Folli, iG São Paulo
Depois de pegar pesado na academia, nada melhor que
receber uma relaxante massagem. Dá até
vontade de dormir, enquanto os músculos cansados
se recuperam do desgaste físico. Um recente estudo
canadense, no entanto, contesta a eficácia do
procedimento para este fim.
O
pesquisador Michael Tschakovsky, da Universidade de
Queen, em Kingston, realizou uma pesquisa para verificar
a relação entre massagem e recuperação
do tecido muscular.
Especialista
em irrigação sanguínea muscular,
Tschakovsky explica em seu estudo que o músculo
precisa de sangue para receber nutrientes e se recuperar
mais rapidamente. Além disso, o sangue favorece
a eliminação do ácido lático,
substância associada à fadiga muscular
e uma das responsáveis por deixar o músculo
dolorido depois da malhação.

Em
seu estudo, o pesquisador canadense selecionou 12 jovens
saudáveis e do sexo masculino. Os voluntários
tiveram de passar dois minutos apertando uma espécie
de alicate, próprio para exercitar o antebraço.
O movimento era ininterrupto e feito com 40% da força
máxima dos jovens.
Ao
término da atividade, os voluntários estavam
com o coração acelerado e chacoalhando
os braços, em sinal de fadiga. O nível
de ácido lático, mensurado por um cateter,
também estava bem mais alto.
O
grupo foi dividido em três subgrupos. O primeiro
simplesmente descansou por 10 minutos, na chamada recuperação
passiva. O segundo passou o mesmo período realizando
exercícios leves. Eles apertavam o alicate de
forma intermitente, com apenas 10% de suas forças.
Por fim, o último grupo desfrutou de uma relaxante
massagem. Um massagista esportivo certificado foi escalado
para o serviço.
Nos
voluntários massageados, o resultado foi justamente
o oposto do esperado. Eles registraram a menor irrigação
sanguínea entre todos os grupos. A massagem diminuía
momentaneamente a alimentação do músculo
exercitado. Embora ela fosse recuperada no instante
seguinte, o balanço após 10 minutos não
foi nada animador.
O
fluxo sanguíneo do antebraço foi mensurado
por ultra-som, enquanto a concentração
de ácido lático era monitorada por amostras
de sangue.
O
grupo da recuperação ativa, que fez exercícios
leves, teve um resultado bem melhor. Mesmo assim, o
pesquisador constatou que a contração
muscular, embora leve, também comprimia os vasos
sanguíneos do músculo, prejudicando sua
irrigação. O melhor resultado foi obtido
pelo grupo da recuperação passiva.
“A
massagem impede a remoção do ácido
lático dos músculos exercitados”,
afirmou o pesquisador, em seu estudo. O trabalho foi
publicado na “Medicine and Science in Sports &
Exercise.”
Fibras brancas e fibras vermelhas
Os
exercícios de baixa intensidade são bem
vistos como alternativa de recuperação
por Jomar Souza, diretor da SBME (Sociedade Brasileira
de Medicina do Exercício e do Esporte). “A
atividade leve melhora a circulação sanguínea
e ajuda na eliminação de ácido
lático”, afirma. O médico comenta
que essa forma de recuperação é
bastante utilizada em atividades como futebol. “Muito
jogadores fazem hidroginástica depois do treino”,
comenta.
Futebol
é um exercício chamado de aeróbico,
diferente do exercício usado no experimento canadense.
É neste ponto que contesta Alexandre Cavalieri,
coordenador da faculdade de Fisioterapia da Umesp (Universidade
Metodista de São Paulo).
Exercícios
de academia, como o levantamento de pesos, são
anaeróbicos. Eles agem sobre as fibras brancas,
que possuem um metabolismo próprio. “Elas
não se beneficiam tanto com a irrigação
sanguínea”, comenta o fisioterapeuta. Logo,
a massagem tem pouco impacto.
Já
exercícios aeróbicos ativam fibras vermelhas,
que precisam mais de irrigação sanguínea.
“Neste caso, a massagem vai ajudar na recuperação”,
garante. Mesmo assim, o fisioterapeuta reconhece que
existem estudos conflitantes sobre o assunto. “Isso
acontece porque a fisioterapia ainda é uma ciência
nova”, avalia.
Uma
contraindicação unânime entre os
especialistas é para o caso de lesão muscular.
“Se isso acontecer, a massagem pode piorar a situação”,
alerta Cavalieri. Mas e nos demais casos, fazer ou não
fazer a massagem? Apesar das teses conflitantes, nenhuma
delas sugere evitar a massagem sob risco de danos sérios
à saúde. O máximo que pode acontecer
é uma recuperação mais demorada.
Fonte:codelas.ig.com.brr
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