Manter-se
ativo é receita de qualidade de vida
RICARDO
MUNIR NAHAS
especial para a Folha de S.Paulo
A
única certeza que temos na vida, e pela qual
lutamos durante toda ela, é o envelhecimento,
pois, quem o conhece, conheceu a vida.
Esse
longo processo traz transformações físicas,
sociais e intelectuais as mais variadas e, de todas,
a progressiva perda da capacidade de realizar tarefas
talvez seja a mais evidente.
As
alterações fisiológicas que ocorrem
com o envelhecimento são bastante estudadas e
bem compreendidas. Sabe-se que a partir dos 30 anos,
principalmente, começamos a perder qualidade
em nossas capacidades físicas básicas,
processo esse irreversível.
Assim,
nos tornaremos menos velozes, resistentes, flexíveis,
fortes, sem equilíbrio e mais descoordenados,
condições que tornam tarefas simples de
antigamente em fardos difíceis de serem carregados.
Seria esse o fim da linha? Seguramente não.
Atualmente,
a ciência moderna vem mostrando que todo esse
processo, embora irreversível, pode ser minimizado
por meio de treinamento específico, a mesma especificidade
utilizada para treinar grandes e jovens campeões.
É
com o treinamento que devolvemos a coordenação
e o equilíbrio, indispensáveis para as
mudanças de direção durante os
passeios, conquistamos a força necessária
para as tarefas do cotidiano, a flexibilidade exigida
para adaptar-se às diversas posições,
sentado no conforto da poltrona em casa ou no desconforto
de uma sala de espera e a resistência para acompanhar
as caminhadas daqueles que se julgam mais jovens, mas
nem sempre o são.
Todas
as qualidades físicas básicas podem e
devem ser treinadas em todas as idades, principalmente
para aqueles que estimam a liberdade de movimentos.
Manter-se
ativo durante toda a vida, e quando a velhice se aproxima,
é a receita para uma melhor qualidade de vida.
Conseguimos tirar o máximo que o organismo tem
a nos oferecer e ele é bastante generoso em sua
recompensa, diminuindo a depressão, facilitando
o controle de peso, mantendo, e por vezes aumentando,
a massa mineral óssea e muscular, entre outros.
Mantendo-se
ativo não há porque temer a sucessão
dos dias. Manter-se ativo é tirar o máximo
daquilo que a vida pode nos oferecer.
RICARDO
MUNIR NAHAS é ortopedista e diretor científico
da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício
e do Esporte
Fonte:
www.folha.uol.com.br
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