Clayton Macedo
Clayton Macedo

“Exercício é remédio para o diabetes, tanto para ajudar no tratamento quanto na prevenção”, afirma o endocrinologista e médico do esporte Clayton Luiz Dornelles Macedo, coordenador do serviço de endocrinologia do exercício na Unifesp, que defende a importância do endocrinologista obter conhecimento mais aprofundado em medicina esportiva. “Dessa maneira, ele se torna capaz de oferecer uma terapêutica alinhada à tendência de buscar soluções mais relacionadas a mudança no estilo de vida do que focadas somente em medicação, o que permite melhorar a saúde do paciente como um todo, protegendo-o de risco cardiovascular e obesidade, que são maiores em diabéticos. Outro motivo de insistir nesse aprimoramento profissional é que para conseguir que o diabético insira o remédio em sua rotina é fácil; a problemática está em fazê-lo aderir a um programa de atividade física e dieta, que são ferramentas com o mesmo grau de importância que as drogas e responsáveis por uma prevenção de 58% do diabetes e por permitir que haja uma melhora no controle metabólico e até uma redução do uso de insulina em casos de diabetes tipo 1”, completa ele, lembrando que da terceira até a sétima década de vida homens e mulheres podem ganhar até 400% de gordura visceral e reduzir até 50% de massa muscular, o que favorece a síndrome metabólica e o diabetes; e o exercício é a alternativa para corrigir isso.

Segundo o doutor Clayton Luiz Dornelles Macedo, o conhecimento da medicina do esporte ainda melhora o preparo do médico para atender uma das mais fortes demandas atuais, que é o uso de suplementação alimentar de forma adequada e a prevenção do uso de anabolizantes para fins estéticos e de performance por diabéticos que são atletas profissionais ou amadores ou frequentadores de academia. “Há inúmeros estudos científicos mostrando que o exercício diminui as complicações do diabetes, isso mesmo quando a pessoa não perde peso. Uma das explicações está relacionada ao novo conceito de que o músculo agora é considerado um tecido endócrino, já que ele produz várias substâncias que caem na corrente sanguínea e estimulam diversas reações no organismo, regulando o metabolismo como um todo. Saber que existe essa glândula e não usá-la em benefício do diabético é um desperdício”, diz o professor, que, por fim, relaciona mais um forte motivo para conhecer e valorizar mais a medicina esportiva: “Um dado publicado na mais respeitada revista científica de diabetes, a Diabetes Care, quantificou a proporção de diabéticos americanos em tratamento que aderem à prática de atividade física: apenas 45% dos homens e 36% das mulheres seguem a orientação de fazer 150 minutos de atividade aeróbica de moderada intensidade por semana, sem que haja um intervalo maior do que dois dias consecutivos sem se exercitar; e somente 14% dos homens e 11% das mulheres fazem um treino resistido de duas a três vezes por semana. Vale ressaltar que estamos falando de pacientes americanos em tratamento, ou seja, que têm acompanhamento médico”, alerta o doutor Clayton Luiz Dornelles Macedo.

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