Sensação de liberdade, mudança constante na paisagem, contato com a natureza, vento batendo no rosto… Quem prefere suar a camisa fora das academias tem uma lista de vantagens da prática de esportes em ambiente aberto. No entanto, uma grande parte dessa turma não sabe que está exposta a inimigos que na maioria das vezes são invisíveis: os poluentes.

Eles já são prejudiciais para as pessoas que vivem nos grandes centros em geral. Provocam sintomas como vermelhidão nos olhos, irritação na garganta e secura no nariz e na boca. Para quem malha em ruas, avenidas ou mesmo em parques perto de locais onde há muita movimentação de automóveis o problema é ainda maior. Durante a realização de atividades físicas, o corpo necessita de mais oxigênio, o que nos leva a inspirar mais profundamente.

Por tabela, uma quantidade maior de partículas contaminadas penetram no organismo, principalmente o monóxido de carbono e o ozônio. “Conforme o esforço fica mais intenso, passamos a respirar também pela boca. Isso possibilita a entrada de uma quantidade ainda maior de fragmentos, inclusive aqueles que seriam filtrados pelas narinas”, acrescenta a personal trainer Iva Bittencourt, de São Paulo (SP), que é especialista em fisiologia do exercício.

Essa maior exposição do sistema respiratório a elementos tóxicos pode desencadear vários problemas. Eles vão desde alterações nas mucosas das vias aéreas, favorecendo o aparecimento de quadros infecciosos, até a piora de doenças respiratórias crônicas, como a asma. Por essa razão, é importante que indivíduos com algum quadro preexistente tenham um cuidado redobrado.

No longo prazo o risco à saúde aumenta bastante. “A exposição prolongada a esses agentes pode levar a uma inflamação crônica do organismo que é o passo inicial de doenças neurodegenerativas, respiratórias e reumatológicas, como infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, hipertensão e câncer”, alerta Paulo Olzon Monteiro da Silva, infectologista e clínico geral da Universidade Federal de São Paulo.

Além de favorecer o aparecimento de irritações e inflamações no organismo, a poluição atrapalha a oxigenação do corpo todo. Normalmente, para alcançar as nossas células, o oxigênio pega carona na hemoglobina, o pigmento dos glóbulos vermelhos do sangue. O problema é que o monóxido de carbono acaba ocupando o lugar do oxigênio, atrapalhando todo o processo.

Para compensar a falta de oxigênio circulante, a respiração é acelerada e o coração passa a trabalhar com mais intensidade, com o intuito de bombear mais sangue para todos os cantos. Isso eleva muito a frequência cardíaca e coloca esse órgão em risco. A musculatura também sofre, já que a escassez de oxigênio nas células compromete a quebra da glicose para gerar energia. Diante da necessidade de poupar energia, a produção de ácido láctico é elevada. Seu acúmulo faz com que os músculos entrem logo em fadiga, levando o praticante a se cansar mais rápido e sofrer com dores musculares.

Assim, não fica difícil entender porque em um ambiente poluído o atleta precisa fazer um esforço físico maior para chegar próximo dos resultados esperados, já que a performance não é a mesma.

Driblando a fumaça

Antes de cortar os exercícios ao ar livre da sua agenda, calma. Saiba que existem formas de diminuir os riscos oferecidos pela poluição. “Para isso, é importante evitar áreas com altos níveis depoluentes. Aquelas perto de estradas ou ruas movimentadas, por exemplo. Ou alternar atividades em ambientes abertos com outras em locais fechados, como as academias, os clubes ou mesmo dentro de casa”, orienta o especialista  em medicina do exercício e do esporte Marcos Henrique Ferreira Laraya, diretor da Sociedade Brasileira  de Medicina do Exercício e do Esporte. “Outra dica é preferir horários em que a radiação solar é menor, já que ela também tem influência nesse caso”, acrescenta Gustavo Magliocca, médico do exercício e do esporte da Clínica Care Club, em São Paulo.

Sair da cama mais cedo é outra boa ideia. Além da quantidade de carros ser menor, nessa parte do dia há uma concentração reduzida de ozônio. Quem tem a possibilidade de colocar o corpo para se mexer à beira-mar leva vantagem. Nessas regiões há maior capacidade de dispersão dos gases que podem provocar prejuízos ao organismo. Independentemente das adaptações que precisarem ser feitas para a realização dos exercícios da melhor forma possível, nem pense em pendurar as chuteiras. “O mais prejudicial à saúde é não praticar atividades físicas”, afirma Paulo Olzon Monteiro da Silva.

 

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