Esqueça o clichê de pessoas sentadas meditando quietinhas, fazendo posições ensinadas há milhares de anos pelos mestres iogues na Índia. Pense em uma turma fazendo movimentos intensos, vigorosos, em uma sala com temperaturas entre 38 e 40 graus e umidade de 40% a 60%. Essa versão literalmente mais quente da prática é a hot ioga, que conquistou famosos como Madonna, Demi Moore, Lady Gaga, Barbara Paz e Fernanda Vasconcellos.

O calor é um elemento-chave para a turbinar a ioga. “À primeira vista, é comum as pessoas acharem que não vão suportar”, diz Paulla Carvalho, professora no estúdio Hot Yoga São Paulo, na capital paulista. Mas essa impressão, segundo ela, logo passa. Para a bióloga Fernanda Bento, 43, a temperatura elevada só traz benefícios: relaxa a musculatura e dá uma sensação gostosa. “Se faço aula de outra modalidade de ioga, em temperatura ambiente, acho que está faltando alguma coisa”, diz ela, que faz hot ioga há dois anos, de três a cinco vezes por semana.

Quente como na Índia

O indiano Bikram Choudhury criou a prática na sala quente há mais de 40 anos. A ideia dele era reproduzir, em qualquer lugar do mundo, as condições climáticas de Calcutá, na Índia, e proporcionar a mesma vivência de ioga para quem desejasse. Depois do método Bikram, outros foram criados, como o Fierce Grace. Hoje cerca de 3.900 estúdios no mundo oferecem a modalidade.

Segundo Paulla, os movimentos são feitos com mais intensidade e facilidade no calor -- pois a temperatura ajuda no movimento das articulações. A respiração também seria melhor no ambiente aquecido: na aula tradicional, muitos alunos costumam travá-la sem perceber para se manter na postura; na sala quente, isso é impossível, pois, se fizer isso, a pessoa acaba passando mal.

Também é mérito do calor diminuir a chance de lesões musculares, de acordo com o ortopedista e médico do esporte Roberto Ranzini, de São Paulo. Além disso, a transpiração ajuda a desintoxicar o organismo. “Há a eliminação de impurezas de alimentos e remédios, além de sujeiras acumuladas na pele”, explica Léo Carvalho, diretor e professor da Ghara Hot Yoga, em São Paulo. Alguns alunos dizem, inclusive, que o cheiro do suor quando se começa na prática é bem desagradável e, com o passar do tempo, vai ficando suave. Sinal de que o corpo está ficando mais limpo, acreditam.

Perda de peso e equilíbrio emocional

Em uma hora de aula, que custa R$ 65, é possível queimar até 900 calorias -- pelo menos o dobro de outros estilos de ioga. Há três anos, a farmacêutica Geisa Amélia Lopes, 34, pratica a modalidade três ou quatro vezes por semana, e perdeu 4,5 quilos. “Nunca mais engordei. Minhas pernas não incham, a ansiedade diminuiu e meu sono melhorou muito. Desde os 17 anos faço musculação. Já fui adepta do crossfit e da corrida, mas nunca consegui resultados sólidos como os que alcancei com a hot ioga”, diz.

De acordo com Carvalho, os quilos a menos se devem principalmente à perda de água. “E, tal como com alunos de qualquer estilo de ioga, o emagrecimento acontece porque há queima calórica por conta dos movimentos intensos”, explica.

Como outras modalidades da prática milenar, as aulas também ajudam a aumentar a concentração e diminuir a ansiedade. “Com a hot ioga, consigo desligar dos problemas. Faço caminhada duas vezes por semana mas meus pensamentos não param. Na aula, eles parecem evaporar da minha mente”, conta Fernanda.

Mas antes de se matricular, vale procurar seu médico e ver se está tudo bem. “É recomendável que interessados, principalmente sedentários e pessoas com problemas cardíacos e endócrinos, consultem um médico antes de começar a praticar”, alerta Ronaldo Arkader, médico do esporte da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. O ortopedista Roberto Ranzini também inclui nessa lista pessoas com sudorese excessiva. Mulheres que nunca fizeram hot ioga também não devem se submeter à prática na gravidez.

 

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