Midia

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Recurso consagrado entre os atletas que precisam perder peso da noite para o dia, saunas são uma alternativa cada vez mais quente contra problemas cardiovasculares. E a bola da vez é a hipertensão.

Em um estudo publicado no Journal of Hypertension, pesquisadores da Finlândia avaliaram 1 621 pessoas e concluíram o seguinte: quem frequentava banhos vaporizados dois ou três dias na semana estava 24% menos propenso à pressão alta em comparação aos que só iam uma vez. Não parou aí: entre os sujeitos que faziam de quatro a sete sessões, o risco era 46% menor.

“O calor contribui para a eliminação de agentes nocivos pelo suor e dilata os vasos, facilitando o fluxo sanguíneo”, explica o médico Carlos Peixoto, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Rio de Janeiro.

Quem mais tira proveito

A exposição controlada ao calor nas sessões de sauna relaxa os músculos e alivia o estresse. Por isso, de acordo com Ivan Pacheco, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, pessoas com diversas condições de saúde podem se beneficiar. Só não vale abrir mão dos tratamentos convencionais.

Como curtir a sauna sem pôr a saúde em risco

Tempo e temperatura

Pelo bem do corpo, o ambiente não deve ultrapassar 45 °C. Cerca de 20 minutos são suficientes.

Comida e água fresca

Eletrólitos como potássio também vão por água abaixo na sessão. Atenção à hidratação e ao cardápio.

Antes e depois

Com aval médico, o acesso é liberado para todos. Mas, em casos de pressão baixa, deixe para o fim de semana.

Álcool e afins

Bebidas que alteram a percepção devem ficar de fora. Não ignore tontura, calor e sede excessivos.

 

Acesse o link do Portal da Revista Saúde: https://saude.abril.com.br/bem-estar/bote-a-hipertensao-na-sauna/

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Desde dezembro de 2017, Tiffany Abreu tem sido um dos principais assuntos quando se fala em vôlei no Brasil. Ela se tornou a primeira jogadora transgênera a competir a Superliga, jogando pelo Bauru desde 10 de dezembro, com liberação do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), por atender aos critérios dos órgãos.

No entanto, seu desempenho tem chamado atenção: sua média de pontos já ultrapassou Tandara, a principal atacante da seleção brasileira. Por isso, as jogadoras cisgêneras têm manifestado desconforto com a presença de Tiffany no campeonato, alegando que ela teria vantagens físicas para competir. Ana Paula chegou a publicar uma carta aberta ao COI defendendo que seria injusto com as demais, pois Tiffany teria características físicas masculinas, por ter crescido e treinado por muitos anos como homem.

"É justo simplesmente fingir que estas inegáveis diferenças biológicas não existem em nome de uma agenda político-ideológica que servirá para cercear um espaço tão duramente conquistado pelas mulheres ao longo de séculos?", escreveu a atleta.

E o que teriam as mulheres transexuais a dizer sobre o assunto? E a ciência? Conversamos com representantes de organizações que lutam pelos direitos de pessoas trans e também com médicos do esporte para trazer novos olhares para o debate. Veja as opinões:

"É puro preconceito", defendem ativistas trans

A secretária de articulação política da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), Bruna Benevides, critica o texto da atleta Ana Paula: "Primeiro, a gente precisa dizer que a Ana Paula não é especialista da área de saúde nem pesquisadora ou geneticista. Então qualquer opinião é baseada no achismo, no entendimento leigo", diz

Para ela, se existe um protocolo médico criado pelo Comitê Olímpico e pensado por estudiosos do tema, as opiniões contrárias seriam apenas demonstração de preconceito. A posição dela é compartilhado pela colega Renata Peron, assistente social e presidente do Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais (CAIS), que acredita que a sociedade se incomoda ao ver mulheres trans ocupando espaços que não sejam o da prostituição.

Já sobre a existência ou não de vantagens competitivas por Tiffany ter desenvolvido seu corpo como homem, Renata acredita que é preciso olhar para o critério existente que é o nível de hormônio masculino no corpo.

Bruna vai além e defende que "o esporte se baseia na vantagem de alguém sobre alguém. Se todas as atletas tivessem no mesmo nível de massa, peso, altura, velocidade, todo jogo seria um empate".

Ela ainda diz que pessoas trans, por fazerem tratamento hormonal para a vida toda, têm diversos efeitos colaterais devido aos medicamentos. "Eu, enquanto mulher trans, posso assegurar que, entre outras coisas, experimentei perda de massa muscular, de densidade óssea, força e até velocidade".

Para ambas, porém, esse tipo de situação vir à tona é sempre positivo, pois dá visibilidade à questão da exclusão das pessoas trans e força as pessoas a conhecerem um pouco mais. "Falem bem, falem mal, mas falem", diz Renata Peron.

E para a ciência, existe vantagem?

Atualmente, para competir na equipe feminina, a atleta trans precisa estar fazendo terapia hormonal há pelo menos dois anos e ter os níveis de testosterona abaixo de 10 nanomol por litro de sangue --Tiffany apresenta valores abaixo de 1 nanomol/l.

No entanto, as demais jogadoras questionam se, por ter feito a transição apenas aos 29 anos, ela não teria vantagens pelo desenvolvimento de um corpo masculino.

Segundo os médicos João Grangeiro, membro da comissão nacional de médicos do vôlei, órgão subordinado a Confederação Brasileira de Vôlei, e Marcelo Bichels Leitão, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, não existem estudos científicos suficientes para dizer se de fato há ou não uma vantagem para atletas trans.

"Eu não concordo nem discordo. Não tem estudo que mostre isso, então é achismo. Hoje temos um critério, que é a testosterona", defende João Grangeiro. Outros critérios para medir uma possível vantagem das atletas, como força ou capacidade pulmonar, ainda não existem.

Mas ele acredita que o desenvolvimento do corpo de uma atleta como homem a maior parte da vida pode, sim, trazer vantagens. "Agora é preciso mensurar essa vantagem. É força muscular? Capacidade aeróbica? Tem mais que as outras na Superliga? Isso precisa de estudo".

Marcelo Bichels concorda. "Em determinados esportes, em que certas características físicas masculinas ou femininas são relevantes, isso pode influenciar. Na fase adulta, a testosterona só aumenta a massa muscular e a força. Mas, durante o desenvolvimento do corpo, pode contribuir com outras características fisiometabólicas", explica.

Um dos argumentos mais usados contra a presença de Tiffany em uma equipe feminina é referente à altura: enquanto a rede masculina tem 2,43m de altura, a feminina tem 2,24m. Mas Tiffany não é a mais alta entre as mulheres: ela mede 1,94m, enquanto Thaísa, do Barueri, mede 1,96.

A questão é entender como de fato essas características poderiam dar ou não vantagem a uma atleta trans e isso a ciência ainda não sabe responder.

No dia 24, a Federação Internacional de Vôlei se reunirá para reavaliar os critérios usados para a participação de atletas transgêneros, por meio de sua Comissão Médica.

 

Acesse o link do Portal UOL: https://estilo.uol.com.br/noticias/redacao/2018/01/23/e-opiniao-e-achismo-ativistas-trans-comentam-a-polemica-de-tiffany-abreu.htm

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Concedido aos cientistas americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young, o Prêmio Nobel de Medicina de 2017 esquentou uma discussão de longa data: a influência dos movimentos da Terra no organismo dos seres vivos. As pesquisas desse trio, desbravadas no começo da década de 1970, foram essenciais para entender no nível molecular como funciona o nosso relógio biológico. E ainda mostram por que existem momentos mais propícios para descansar ou, pelo contrário, fazer exercício físico.

Ocorre que nosso ritmo circadiano (o nome técnico do reloginho interno) parece não ter sido ajustado para a rotina de boa parte da população mundial. E não estamos falando apenas daqueles que se sentem cansados só de imaginar o despertador tocando ao nascer do sol ou não conseguem dormir antes da meia-noite. Com a agenda cheia, muita gente precisa fazer o tempo render e, na impossibilidade de encaixar os exercícios no horário comercial, a solução é deixá-los para as altas horas – ou até de madrugada.

A primeira academia 24 horas do Brasil surgiu em 2006 a partir das necessidades de universitários que também trabalhavam. “Até então, esses alunos mal conseguiam terminar o aquecimento antes do soar do alarme que indicava o fechamento da unidade, em Guarulhos”, lembra o educador físico Eduardo Gusmão, gerente da Academia Gaviões 24h – Paulista.

Pois é, quase não rolava malhar direito no dia a dia, o que fazia o fluxo no estabelecimento aumentar de 30 a 40% nas férias, quando o público conseguia seguir um treino com mais facilidade. A saída? Ampliar a jornada de trabalho na sala de ginástica.

“Graças ao crescimento do movimento em horários alternativos, é comum encontrar unidades que abrem as portas às 5 horas da manhã e encerram o expediente por volta de 1 hora da manhã”, nota Richard Bilton, presidente da rede de academias Cia Athletica e diretor da Associação Brasileira de Academias. “Se pensarmos nos anos 1990, o horário de funcionamento mais comum era das 7h às 21h, e só de segunda a sexta”, completa Bilton. Sim, hoje tem cada vez mais gente suando aos finais de semana e partindo para o treino noturno.

Só que essa procura levantou alguns questionamentos. O primeiro foi o suposto impacto negativo no sono. Afinal, atividade física faz liberar adrenalina e outros estimulantes naturais, o que renderia insônia e cansaço no dia seguinte. Estudo após estudo, porém, o temor não parece se concretizar. O exercício pode até favorecer o repouso.

Em uma experiência com 17 homens saudáveis, o professor de educação física Marco Tulio de Mello, da Universidade Federal de Minas Gerais, constatou que o exercício moderado, mesmo feito depois que o sol se põe, promove a liberação de um monte de substâncias relaxantes. “Só que o corpo leva até duas horas para voltar ao ritmo e à temperatura normais”, avisa.

Um time de pesquisadores da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, foi ainda mais longe: segundo eles, nem sequer modalidades vigorosas prejudicariam as horas na cama. E olha que 11 voluntários de ambos os sexos foram induzidos a intercalar noites de descanso total e sessões intensas de bicicleta ergométrica duas horas antes de irem para o quarto. Ao final do acompanhamento, as pedaladas não fizeram diferença significativa, embora tenham elevado momentaneamente os batimentos cardíacos em repouso – o que poderia afetar a profundidade do sono.

“Mesmo assim, o coração só tem a ganhar na ausência do sedentarismo. A atividade física ajuda a controlar a pressão arterial e a ansiedade, sendo uma aliada dos tratamentos convencionais”, incentiva a cardiologista Fátima Cintra, professora livre-docente da Universidade Federal de São Paulo. No entanto, um hábito saudável não deve servir como moeda de troca para outro. “A privação do sono é comprovadamente um fator de risco para eventos cardiovasculares e outros problemas”, arremata Fátima.

Manual do exercício noturno

O mandamento a ser respeitado aqui é que dá pra treinar à noite, desde que o sono não seja negligenciado. Esse é um preceito básico geral, mas que deve ser seguido à risca se já existe um problema crônico no pedaço, caso do diabetes.

“A atividade física auxilia no controle da glicose no sangue”, afirma o endocrinologista Rodrigo Lamounier, da Sociedade Brasileira de Diabetes. “Mas, sobretudo entre pacientes com tipo 1 ou tratados com insulina, é preciso ter um cuidado maior porque tanto o exercício como o período noturno em si podem propiciar episódios de hipoglicemia”, completa.

O fato é que nem tudo são flores a quem prefere malhar com a Lua no céu. O desempenho, por exemplo, tende a ser comprometido, ainda mais se as atividades realizadas ao longo do dia exigem muita energia ou se a última refeição aconteceu há muito tempo.

“Nesse sentido, o ideal é treinar quando a temperatura corporal está mais elevada, antes ou depois do almoço e entre o início da noite até a faixa das 22 horas”, orienta Marco Tulio de Mello. Novamente: de nada adianta pegar pesado na academia e passar madrugadas em claro.

Ao dormirmos, aumenta a produção de testosterona e do hormônio do crescimento, essenciais para a manutenção dos músculos. Sem contar que é quando fabricamos melatonina, que entra em cena na calada da noite para reparar o efeito do estresse, da poluição e de outros sabotadores.

Mas é possível minimizar eventuais prejuízos se malhar pela manhã ou à tarde não é uma possibilidade. “Uma boa dica é diminuir o ritmo do treino quando a aula estiver chegando ao fim, preparando o corpo para descansar”, ensina o médico Ivan Pacheco, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, no Rio Grande do Sul.

Dito isso, dá para investir em qualquer modalidade. “Diante de índices tão alarmantes de pessoas obesas e sedentárias no país, o esporte ideal é o que se mostra mais prazeroso e sustentável”, crava Pacheco. O segredo, então, é observar a adaptação, ficando atento ao que funciona ou não para fazer ajustes na rotina de acordo com as necessidades.

A dieta também conta

Outro ponto-chave é a alimentação. Independentemente do horário de treino, não vale chegar em casa e comer tudo o que se encontra pela frente. Porém, quando ingerimos uma grande quantidade de comida à noite, o sistema digestivo padece e o organismo entende que é um momento do dia em que precisamos de bastante energia.

“O jantar de quem se exercita muito tarde pode ser mais caprichado, mas deve servir de pré-treino”, esclarece a nutricionista e doutora em cronobiologia Ana Harb, professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul. “Arroz, pães, carnes magras, frutas e vegetais estão liberados”, indica. Já no pós-treino, mamão, banana com aveia, iogurte e batata e outras fontes de carboidrato de rápida absorção são boas escolhas para a recuperação de glicogênio, nosso combustível reserva.

Como nem sempre é fácil seguir as recomendações ao pé da letra, vale apostar nas marmitas e em outras atitudes que economizam tempo. Assim, é possível fazer as refeições no momento certo e garantir mais horas de sono.

Até porque o descanso noturno é fundamental para o controle do peso. Uma nova pesquisa americana identificou que passar apenas cinco horas na cama chega a alterar os níveis de grelina e leptina, hormônios associados ao apetite e à saciedade.

E quanto às evidências de que trabalhadores noturnos estão mais expostos a obesidade e diversas doenças? Quem treina à noite deve se preocupar? Segundo a endocrinologista Maria Edna de Mello, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, as situações são diferentes. “As alterações hormonais geradas pelos exercícios tendem a ser benéficas. Então, os resultados dessas pesquisas não se aplicam ao pé da letra nesse contexto”, interpreta.

Em se tratando de atividade física, a expressão “antes tarde do que nunca” não poderia ser mais apropriada.

Opções para quem deseja malhar à noite

Academia: mais comuns em São Paulo e no Rio de Janeiro, há estabelecimentos fitness que funcionam 24 horas por dia – fecham apenas no Natal e no Ano-Novo.

Corrida: provas noturnas despertam cada vez mais interesse. A Night Run, maior da categoria, tem 22 etapas e chega a reunir mais de 150 mil atletas de 11 estados brasileiros.

Ciclismo: grupos que se reúnem após as 19h estão ganhando as redes sociais. O Saia Na Noite, por exemplo, é o primeiro formado apenas por ciclistas mulheres na capital paulista.

Balada fitness: música alta, luzes piscando e uma pista de dança cheia de gente fazendo exercício. É sucesso no exterior e já juntou quase 3 mil pessoas no Parque do Ibirapuera (SP).

 

Acesse o link do Portal da Revista Saúde: https://saude.abril.com.br/fitness/exercicio-a-noite-pros-e-contras-dessa-tendencia/

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Alerta vermelho: a RED-S exige sua atenção. É provável que você ainda não conheça seus males, mas a Síndrome de Deficiência Energética Relativa ao Esporte é um risco real para os atletas – infecções, lesões, anemia, fadiga crônica, alterações cardiovasculares e fragilidade óssea, como expôs o caso da britânica Bobby Clay. Aos 20 anos, ela já é vista como ex-promessa do atletismo e fez uma revelação preocupante neste fim de semana: “Nunca menstruei”. Como algo assim pode acontecer?

Tudo tem a ver com as calorias ingeridas pelo corpo, usadas para a nossa sobrevivência: manutenção do sistema cardiorrespiratório, neuroendócrino e imunológico, dentre outros. Ou seja, mesmo quem pega leve nos treinos físicos precisa ter cuidado com a própria alimentação. As jovens mulheres atléticas são mais afetadas, mas homens também podem sofrer com a RED-S.

Quando alguém se propõe a praticar esportes, mesmo que de forma amadora, precisa estar atento à quantidade de energia que entra (com a alimentação) e que se perde (a depender da intensidade do exercício). O ideal é que haja 30 quilocalorias por quilo de massa magra por dia, no mínimo.

Não é preciso levar o corpo ao limite. “Quando a energia é deficiente para o esporte que ele pratica, todos os sistemas são afetados. O atleta começa a ficar cansado, pode ter mais infecções, aumenta a chance de lesões e, no caso das mulheres, interfere no ciclo menstrual”, explicou ao UOL Esporte a Dra. Maíta Poli de Araújo, ginecologista especializada no tema.

A médica faz parte da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) e é chefe do Setor de Ginecologia do Esporte da Unifesp, onde a síndrome (que importou o acrônimo RED-S, do inglês, para causar mais impacto) começou a ser estudada no Brasil, em 2016.

Segundo ela, existem “vários casos, de diversas modalidades” nos quais atletas brasileiras deixaram de menstruar regularmente. É importante ressaltar que a interrupção no ciclo menstrual de Bobby Clay não foi uma opção pessoal; de acordo com a doutora, aquela foi a reação inteligente de um organismo que busca sobreviver.

Para preservar os órgãos mais importantes, como coração, cérebro e pulmão, o corpo diminui o trabalho dos ovários e a produção de hormônios femininos, como o estrogênio, que provoca a ovulação e, consequentemente, a menstruação. Mas o impacto disso não se resume ao sistema reprodutor feminino.

“Como o estrogênio é fundamental na remodelação óssea, atletas com RED-S podem ter diminuição da densidade mineral óssea. O diagnóstico é feito pela densitometria óssea e, nestes casos, aumenta o risco de fraturas”, disse a doutora Maíta.

A própria Bobby Clay é um exemplo desta fragilidade óssea, apesar de usar erroneamente o termo “osteoporose” – segundo a médica especialista, como a síndrome afeta mais os jovens atletas, a expressão correta é “baixa densidade mineral óssea”. Em entrevista à BBC, a britânica relata ter quebrado um pé enquanto nadava. “Quando fiz a virada na piscina e empurrei a parede com os pés, um deles quebrou. Doeu muito. Não é normal quebrar um pé nadando”, contou.

Foi assim que descobriu o problema causado pelo excesso de treinos, que não condizia com sua alimentação. “Eu sabia que um corpo com pouca gordura significa que não menstruaria, mas eu via isso como algo positivo para o meu rendimento”, lamentou. Em uma sociedade tão exigente sobre padrões corporais, não surpreende que as colegas de Bobby tivessem os mesmos hábitos negativos.

“Muitas das meninas com quem eu convivia seguiam um caminho obscuro com suas dietas. A relação que elas tinham com comida era medonha. Na verdade, eu estava comendo mais que elas, mas não estava fazendo isso bem. Comer um pouco mais do que nada não era suficiente”, explicou a atleta.

A doutora Maíta ressalta que a RED-S pode surgir em esportistas com hábitos alimentares inadequados, mesmo que estes não constituam um distúrbio alimentar – bulimia e anorexia, destaca ela, "são condições clínicas graves, com diagnóstico psiquiátrico e, às vezes, até fatais". Se este for o seu caso, procure a ajuda profissional apropriada.

Atualmente, Clay faz tratamento para estimular a produção dos hormônios necessários para o fortalecimento de seu organismo e o aumento da densidade óssea – e, consequentemente, regularizar o funcionamento dos ovários e a menstruação. Seu relato não foi em tom de piedade: quer apenas que outros atletas não mirem o topo do pódio e encontrem o fundo do poço.

 

Acesse o link do Portal UOL Esporte: https://esporte.uol.com.br/ultimas-noticias/2018/01/10/como-e-a-sindrome-que-enfraquece-ossos-e-impede-a-menstruacao-de-atletas.htm