Midia

0 118

Por Lourenço Sampaio de Mara  

Nascer, desenvolver e envelhecer são etapas do ciclo da vida e nesta evolução natural ocorrem modificações corporais morfológicas e funcionais que são expressivas no idoso.

Envelhecer é um processo dinâmico e progressivo que ocorre de forma universal e irreversível levando a modificações morfofuncionais, bioquímicas e psicológicas onde há diminuição da capacidade de adaptação do organismo ao ambiente, propiciando maior vulnerabilidade e incidência de doenças. No mundo o envelhecimento é fenômeno crescente não sendo diferente no Brasil. Em nosso país no ano de 2008 foi registrado aumento da expectativa de vida média a qual foi calculada em 72,8 anos sendo maior entre as mulheres, estando isto relacionado a melhores condições de vida principalmente pelo desenvolvimento de políticas públicas de saúde e avanços tecnológicos. Em 2017 a população de idosos no Brasil (> 60 anos) superou a marca dos 30 milhões, sendo que nos últimos cinco anos houve um incremento de 4,8 milhões, correspondendo a um crescimento de 18% neste grupo etário demonstrando a importância em se dispender entendimento e conhecimento da saúde física e mental desta população incluindo as modificações corporais e suas limitações.

É natural entender que a pessoa com mais de 60 anos desacelere seu ritmo de vida em diversas esferas devido as limitações impostas pelo corpo físico. A mesma carga de trabalho por exemplo, aos 30 ou 40 anos, não é igualmente suportada aos 60 anos ou mais principalmente aquelas que exigem esforço físico e menos comumente nas atividades de cunho mental. Isto se deve por um declínio progressivo da composição e função corporal a partir da 4ª década de vida com algumas variações. No âmbito músculo esquelético observa-se uma perda da massa muscular de cerca de 0,5% ao ano que pode iniciar aos 35 ou 40 anos sem perda de função evidente evoluindo para cerca de 1% aos 60 ou 65 anos podendo ser acompanhada de perda de função. A perda da função e massa muscular de forma generalizada e progressiva caracteriza a sarcopenia no idoso sendo de etiologia multifatorial como declínio neurológico, obesidade, alterações hormonais, diabetes, má nutrição, doenças reumáticas e diminuição da atividade física afetando negativamente a qualidade de vida.  O diagnóstico de sarcopenia não deve ser feito apenas pela perda de peso corporal uma vez que a massa magra comumente é substituída por outros tecidos como o adiposo. O percentual de gordura aumenta cerca de duas vezes no idoso quando comparado a população de 25 anos, ou seja, em média o percentual de gordura de um homem aos 25 anos é de 14% e aos 70 anos de 30% o que tem reflexo no aumento de doenças metabólicas como diabetes e obesidade, doenças osteoarticulares, neoplasias dentre outras.

Em relação ao compartimento hídrico, a composição da fração de água corporal no adulto jovem é de cerca de 61% e esta tende a diminuir com o envelhecimento, com uma queda de cerca de 7% aos 60 anos ou mais o que implica em maiores riscos de distúrbios hidroeletrolíticos como facilidade para a desidratação e consequentemente disfunções renais, o que requer maior atenção aos ajustes e uso das medicações uma vez que estados de desequilíbrios hídricos alteram a cinética e efeito  dos fármacos. Por isso, a manutenção e preocupação da boa hidratação ao idoso é importante.   

A massa óssea com o envelhecimento também sofre diminuição e rarefação de sua matriz implicando em fragilidade e aumento do número de fraturas. O sexo feminino é mais suscetível às alterações ósseas após a menopausa devido as alterações hormonais que propiciam o aparecimento da ostepenia e osteoporose. Além da diminuição da massa óssea ocorrem as deformidades estruturais do esqueleto algo que reflete na alteração da postura corporal do idoso.  

As intervenções para prevenir ou reverter quadros de sarcopenia, obesidade, osteoporose dentre outras patologias que estão direta ou indiretamente relacionadas com as modificações na composição corporal no processo de envelhecimento estão fortemente associadas à alimentação saudável e ao exercício físico. Todas as modificações da composição corporal podem representar limitações em maior ou menor grau ao indivíduo, contudo a adoção de um hábito de vida ativo desde muito cedo desacelera este processo e garante uma melhor qualidade de vida ao idoso. Ainda que o idoso não tenha um antecedente de atividade física regular o mesmo pode beneficiar-se a qualquer momento dos efeitos do exercício sobre a composição corporal.   Os efeitos benéficos do exercício e alimentação de qualidade são percebidos pelo idoso quando avaliado sua disposição, vigor e autoestima principalmente por ganho de massa muscular, força, desempenho e modificações positivas da sua forma física. Uma escolha interessante seria a atividade aeróbia como caminhar ou nadar e resistida como a musculação que trabalham o sistema cardiovascular e músculo esquelético com certo controle e benefícios complementares como ganho de potência aeróbia e força ou explosão, permitindo uma perceptível mudança na qualidade de vida do idoso. Contudo, a decisão entre qual atividade praticar vai depender do gosto, limitações e aptidão de cada indivíduo, sendo o mais importante manter-se ativo regularmente. 

Portanto, envelhecer é um fenômeno natural e crescente na população mundial sendo acompanhado por modificações em esfera biológica, bioquímica, mental e na composição corporal as quais podem ser minimizadas pela atividade física regular e alimentação saudável.

0 62

Por Flavia Meyer

Médica do Esporte e Pediatra.

 

Com o aumento do calor ambiental do verão, devemos ter alguns cuidados para que os   exercícios físicos continuem sendo praticados de maneira confortável e segura para otimizar a saúde, bem estar e o desempenho.

Dependendo das condições ambientais, o estresse pelo calor pode diminuir/prejudicar a capacidade de esforço em até 25%.  Isto porque no exercício nós produzimos significativamente muito mais calor decorrente do trabalho muscular adicional. Quanto maior a intensidade do exercício, maior a produção de calor corporal.

Além disso, em dias muito quentes em que a temperatura do ar ambiente é maior do que a temperatura cutânea/da pele (que oscila entre 34-36oC) ganhamos calor pela pele - mesmo sem fazer nada!  Por exemplo, basta que a temperatura do ar esteja acima de 34oC, tão comum em qualquer região do Brasil nos meses de verão, para ganhar calor do ambiente. E, percebemos na  própria pele as respostas fisiológicas/termoregulatórias que são acionadas pelo organismo para favorecer a saída do calor corporal. O sangue retira o calor do músculo “quente” e leva até a pele onde as vasos ficam dilatados para favorecer a saída do calor (mecanismo chamado de convecção). Esta resposta quase sempre é insuficiente e assim  acionamos um esperto mecanismo que é a produção do suor. E através da evaporação do suor que também liberamos o excesso do calor corporal.  Estas são as tentativas para atenuar o aumento da temperatura (hipertermia) interna do corpo/sangue (conhecida como core temperature) durante os exercícios. Mesmo com um aumento de 1 a 2oC na temperatura interna , nosso organismo já pode perceber um desconforto, o coração começa a bater mais rápido e aumenta a fadiga.  A medida que temperatura corporal interna aumenta, sintomas mais graves podem aparecer tais como: câimbra, dor de cabeça (cefaleia), náuseas, vômitos, tontura e até mesmo um desmaio (síncope).   

 

O prejuízo pode ser ainda maior para aqueles não acostumados ao exercício pela falta de condicionamento e aclimatização/adaptação ao calor. Isto não quer dizer que o sedentário deve se manter inativo com a desculpa de que é verão. Ao contrário, a pratica regular de exercício é sempre benéfica para a saúde e bem estar além de evitar/prevenir várias doenças.  Existem recomendações para prevenir o aumento exagerado da temperatura corporal durante os exercícios nos meses de verão.

 

Abaixo um Quadro mostrando Alguns Fatores de Riscos (Prejuízos) para Maior Aumento da Temperatura Corporal durante o Exercício

 

 

Podemos considerar a sudorese como tendo duas faces (ou uma “faca de dois gumes): Por um lado ela cumpre eficientemente a sua função de liberar o calor produzido no exercício, e por outro lado vai eliminando água (e alguns minerais) do organismo podendo causar desidratação, caso  ingestão de líquidos for insuficiente para equilibrar as perdas através do suor.  A desidratação é prejudicial durante o exercício no calor pois dificulta o transporte do calor no corpo (sangue) e para fora do corpo (evaporação). Existem pesquisas mostrando que a desidratação prejudica não apenas o desempenho para as atividades prolongadas (por exemplo antecipa a fadiga numa corrida ou pedalada) como também prejudica vários componentes necessários para o sucesso de para vários esportes como aqueles do tipo intermitente/alta intensidade como a força muscular, velocidade, movimentos explosivos e até mesmo os aspectos cognitivos e perceptivos.  

 

Então sabendo destes fatores prejudiciais algumas dicas/recomendações para se exercitar de maneira segura e usufruir com saúde de uma boa forma física:

 

  • Escolher horas do dia em que o estresse térmico do calor é menor.
  • Escolher locais com sombras, com ventilação e menos irradiação do calor. Evitar o asfalto ou pisos quentes.
  • Aclimatação ao calor: gradativamente aumentar a exposição ao calor. No início do verão (ou de exposição ao calor) diminuir a intensidade, duração e volume de treinamento/exercício. Fazer repousos/pausas periódicas.
  • Manutenção da hidratação: antes durante e após o exercício. Disponibilidade de fluidos para ingestão periódica durante atividades prolongadas. Aprender a perceber o seu do estado de hidratação.

 

  • Educação do desportista e equipe para reconhecimento precoce na presença de sinais e sintomas relacionados a doenças provocadas pelo exercício no calor. Interromper o exercício caso os sintomas apareçam. 

 

  • Usar o mínimo de roupas e que sejam adequadas para favorecer a evaporação do suor produzido. Vestimentas folgadas de cores claras proporcionam circulação livre do ar entre a pele e o meio ambiente, preferencialmente de algodão ao invés do sintéticas. Quando molhada, recomenda-se trocar a vestimenta e, se possível, usar uma toalha para secar o excesso do suor acumulado na pele.

 

  • Usar o bom senso pois nenhuma das recomendações acima poderá evitar os problemas da hipertermia corporal em situações de extremo calor (temperatura do ar e umidade desfavorável) adiar o exercício. Atividades na água (natação/ hidro) ou ambientes condicionados são uma alternativa para estes dias “insuportáveis”.  

 

0 1455

Gostaria de ter alguma imagem especial do FIMS 2018? Solicite através do email secretaria@medicinadoesporte.org.br. Para visualizar as fotos, clique aqui

Nossa taxa de pesquisa para o envio das imagens escolhidas, em alta resolução, é de R$ 20,00 por foto, com o limite de 5 imagens por pesquisa.

Sócios quites da SBMEE são isentos da taxa de pesquisa.

Atenção: essas imagens não devem ser comercializadas ou distribuídas. Seu uso deve ser somente editorial e com permissão prévia da SBMEE.

Para identificar o código de registro da imagem que gostaria de solicitar, basta clicar no ícone "i" no topo da imagem escolhida, à direita. Em seguida, vai abrir um painel, à direita, com informações da mesma, conforme abaixo:

 

Clique nos arquivos abaixo, listados por dia, para acessar as imagens do Congresso:

Coffee Break Pré-Congresso 11/09/2018

Curso Ergoespirometria 11/09/2018

Fisiologia e Suplementação 11/09/2018

Simpósio Educação Física 11/09/2018

Sonafe Creffito 11/09/2018

Anfiteatro Alberto Ricart 12/09/2018

Anfiteatro Joseph Cummiskey 12/09/2018

Anfiteatro Joseph Alberto 12/09/2018

Anfiteatro Dr. Danish Zaheer 12/09/2018

Anfiteatro Dr. Joseph e Dr. Alberto 12/09/2018

Anfiteatro Dr. Marcos Brazão 12/09/2018

Anfiteatro Dr. Sayed Khashaba 12/09/2018

Credenciamento 12/09/2018

Cerimônia 12/09/2018

Estandes 12/09/2018

Fotos 12/09/2018

Anfiteatro Alberto Ricart 13/09/2018

Anfiteatro Joseph Cummiskey 13/09/2018

Estandes 13/09/2018

FIMS 2018 13/09/2018

Anfiteatro Sayed Khashaba 13/09/2018

Anfiteatro Dr. Danish Zaheer 13/09/2018

Anfiteatro Dr. Marcos Brazão 13/09/2018

Estandes 13/09/2018

Jantar 14/09/2018

Aché - Simpósio Satélite: O Atleta de hoje - Desempenho e Recuperação 14/09/2018

Anfiteatro Dr. Sayed Khashaba 14/09/2018

Anfiteatro Joseph Cummiskey e Dr. Alberto Ricart 14/09/2018

Farmoquímica - Simpósio Satélite: Motix

Estandes 14/09/2018

Anfiteatro Marcos Brazão 14/09/2018

Anfiteatro Dr. Danish Zaheer 14/09/2018

Anfiteatro Alberto Ricart 14/09/2018

Fotos 14/09/2018

Anfiteatro Alberto Ricart 15/09/2018

Anfiteatro Dr. Marcos Brazão 15/09/2018

Anfiteatro Joseph Cummiskey 15/09/2018

Encerramento

Estandes 15/09/2018

Fotos 15/09/2018

Desafio das Ligas

0 1794

ALDO CONSENTINO FILHO
ALESSIO CALIL MATHIAS
ALEX SANTOS ARAÚJO
ALEXANDRE TORELLI PINHEIRO
ALVARO PAIVA OLIVEIRA
ANDRÉ LUIZ NUNES DE MOURA
BRUNO CEZAR BRABO PEREIRA
CAIO SENISE DROLSHAGEN
CAROLINE ERIKA PEREIRA NAGANO
CASSIANA HERMANN PISANELLI
CELSO FURTADO DE AZEVEDO FILHO
CHARLES MARCON CACHOEIRA
CHIARA ROCHA BRANDÃO
DÉBORA BOROWIAK REISS
EDUARDO ARAKAKI HYPOLITO
EDUARDO COSTA RAUEN
EDUARDO LISBOA FERNANDES
ESTHELA GRACIELE OLIVEIRA CONDE
FABIAN FERREIRA BRANDÃO DE MORAIS
FABIANA DE GODOY CASIMIRO
FERNANDA BARBOSA PAULA
FILIPE CORTEZ DUARTE BARBOSA
FLÁVIA PEREIRA NIGRO
GUILHERME HENRIQUE VIEIRA LIMA
HELENA VITÓRIA DE OLIVEIRA DE CAMARGO
HELIO TOSHIKAZU OKAMURA
HENRIQUE DE LAZARI SCHAFFHAUSSER
JOSÉ ROBERTO VASCONCELOS MIRANDA
LEONARDO MANOEL DE CARVALHO
LUCIANO RODRIGO SILVA DE OLIVEIRA
LUIS FILIPE DANEU FERNANDES
LUIZ ANTONIO MENDES NASCIMENTO JUNIOR
LUIZ FERNANDO RIBEIRO DE MIRANDA MOURÃO
LUIZ FITTIPALDI LYRA NETO
MIRAYR FERREIRA JÚNIOR
PAULO JOSÉ GOMES PUCCINELLI
PAULO OSNI LEÃO PERIN
PEDRO BRUNO COSTA MURARA
RENATO MONTEIRO ZUCCHI
RODRIGO BROCHETTO FERREIRA
SANNA ROQUE PINHEIRO
TADEU AUGUSTO FERNANDES
TALINE SANTOS DA COSTA
THIAGO CHALHUB RIBEIRO
VICTOR QUEIROZ DE MIRANDA

0 2288

Uma dúvida recorrente entre os corredores é se o tipo de pisada influencia ou não na performance. A resposta é que sim. Mas somente saber a pisada não é garantia de melhora no desempenho.

“O toque ao solo, a postura e o fortalecimento do músculos são variáveis mais importantes e que podem ajudar a melhorar a biomecânica da corrida – além de deixar o atleta longe de dores”, explica Marcos Henrique Ferreira Laraya, especialista em Medicina do Exercício e do Esporte e Diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.

Um ponto de destaque é que descobrir a sua pisada pode ajudar na prevenção de lesões. Entretanto, de acordo com Laraya, existem fatores mais importantes para os quais o corredor deve dar atenção.

Ele indica, por exemplo, que o atleta não inicie a pisada apenas com o calcanhar, pois isso aumenta o risco de lesão devido ao impacto nas articulações. O recomendado é apoiar o pé suavemente no solo – “correr sem fazer barulho”. Exercícios como o de encolher os dedos do pé para dentro e/ou caminhar descalço na areia são ótimos para fortalecer os chamados músculos intrínsecos – os músculos do pé.

Palmilhas especiais

O teste de pisada também serve para a confecção de palmilhas específicas para o corredor. “Depois que o atleta garante sua palmilha, ele pode comprar qualquer tênis de corrida”, afirma Alessandra Masi, Ortopedista e Traumatologista do Esporte.

No início do uso, é normal sentir dores nos pés, pois a palmilha acaba por fazer um trabalho de correção. Por isso, a especialista recomenda usar dois tipos de palmilha nesse período de adaptação: uma corretiva e outra para correr.

O indicado é sempre fazer avaliações clínicas antes de começar a fazer exercícios. Assim você avalia as suas condições e possui uma orientação para não ter lesões.

Tipos de pisada

Pronada

Essa é a pisada em que o atleta toca o solo com a borda interna do pé. Para pronadores, porém, vale atenção maior com as lesões no joelho. “Isso pode ocorrer devido ao valgo dinâmico, que é o movimento causado nos joelhos na hora do impacto”, explica Laraya.

Supinada

Neste tipo de pisada o toque ao solo ocorre na lateral externa do pé. Nela, o valgo dinâmico é menor, mas o há mais chances de torções.

Neutra

A pisada neutra é o contato total da planta do pé com o solo. Ela é a mais estável das três e com menores riscos de lesões.

Teste de pisada

Existem alguns tipos diferentes de testes de pisada. “Os feitos em loja, por exemplo, são mais superficiais. Eu não recomendo”, afirma Alessandra. O melhor e mais completo é a baropodometria, realizada em clínicas e por ortopedistas. Nela, é possível ver não somente o tipo de pisada, como também o porquê de cada pisada e analisar possíveis disfunções no corpo do atleta (que podem gerar lesões).

Geralmente os testes em clínicas são feitos em tapetes tecnológicos que mapeiam o pé do atleta ou em esteiras – com ajuda de câmeras e outros acessórios. Existem também os testes mais simples, em que o corredor pinta ou molha o pé e pisa sob uma superfície, marcando a forma da pisada.

 

Acesse o link do Portal Sua Corrida: http://suacorrida.com.br/canal/medicina-esportiva/importancia-teste-de-pisada-corrida/

0 2430

Você decide cumprir aquela resolução de Ano Novo e, enfim, volta para a academia. O problema é que, no dia seguinte, cada músculo do seu corpo lembra do esforço do novo treino. Você quase desanima, mas pensa que esse pode ser um bom sinal. Será mesmo? Essa dorzinha significa mesmo que o exercício fez efeito? E quando você não sente nada, será que o seu corpo acostumou e não está valendo nada as horas de treinamento durante a semana?

"Essa dor acontece toda vez que a gente vai fazer um esforço que não está acostumado, que provoca micro lesões na musculatura, gerando pequenos processos inflamatórios", afirma o médico Ivan Pacheco, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Isso acontece quando você começa a praticar um esporte, muda de treino na academia ou aumenta a carga de algum aparelho, por exemplo.

Esse processo é chamado de dor tardia e costuma dar os seus primeiros sinais algumas horas após a prática do exercício. Com descanso e boa alimentação, em um ou dois dias o incômodo tende a desaparecer.

A longo prazo e com uma prática regular, esse processo inflamatório do músculo costuma ser menos recorrente. Por isso, diz o médico, o sucesso do exercício não está relacionado necessariamente à dor. "Se a pessoa vem fazendo um trabalho progressivo, controlado, nem sempre vai sentir dor nas mudanças de carga", afirma.

Para que isso ocorra, no entanto, é importante ainda manter uma boa alimentação, dormir bem e realizar a prática sempre sob supervisão de um especialista. Além disso, só pagar a academia, sem frequentá-la, não ajuda a reduzir o incômodo.

"Se o indivíduo não realiza o exercício de forma sistemática, a percepção de dor tende a ser continuamente associada ao efeito do exercício", diz Aline de Freitas Brito, professora da Escola Superior de Educação Física da Universidade de Pernambuco.

Descansar grupos musculares em dias alternados, por exemplo, é uma boa dica para evitar sobrecarga e problemas no dia seguinte. Na alimentação, Pacheco indica o consumo regular de proteínas, importantes na reconstrução muscular, e de carboidratos, componentes usados pelos músculos como forma de energia para realizar as contrações em cada movimento.

A professora da Universidade de Pernambuco diz ainda que alguns compostos antioxidantes naturais ou sintéticos podem ajudar a evitar a dor após a prática de um exercício, entre eles sucos de uva, algas como Spirulina, vitamina E, vitamina C, albumina e creatina.

Em alguns casos, porém, o incômodo muscular pode significar uma lesão. Segundo o médico, ela se diferencia da dor tardia de duas formas: quando ocorre na hora da execução do movimento ou se demora bem mais do que um ou dois dias para passar. "Nesse caso, é preciso investigar", diz Pacheco.

Alguns comportamentos, segundo a professora da UPE, também podem ser sinal de que há algo errado. "A presença constante de dor e de duração prolongada pode ser perturbadora e acarreta alterações nas atividades físicas cotidianas, podendo ser facilmente observada em mudanças no padrão do sono, modificações no humor, baixa autoestima, perda de vontade de realizar atividades familiares, de trabalho e de lazer", diz Brito. Então, se nem descanso nem boa alimentação adiantarem, vale a pena procurar um médico.

 

Acesse o link do Portal UOL: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2018/01/23/se-o-musculo-doi-e-porque-o-exercicio-fez-efeito.htm

0 1649

Antecipar tendências no universo fitness não é fácil. Mas o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, na sigla em inglês) leva essa tarefa a sério. Tanto é que, todo ano, especialistas da entidade consultam diversos profissionais do mundo inteiro para identificar as apostas do momento quando o assunto é exercício físico. Dessa vez, foram recolhidas 4 133 opiniões de personal trainers, fisiologistas, professores universitários, médicos e outros entendidos da área de educação física. A partir daí, surge a lista das atividades que devem fazer sucesso em 2018.

Quem levou o caneco foram os exercícios intervalados de alta intensidade, ou HIIT. Não é a primeira vez que esse tipo de treino sobe ao pódio. Em 2014, ficou em primeiro lugar e, em 2017, apareceu na terceira posição. “Isso demonstra que, além de fazer bem à saúde, o HIIT ganha popularidade”, avalia Walter Thompson, presidente da ACSM.

Mas não são só modalidades que ganham destaque. “As tendências fitness também podem ser comportamentais”, explica Thompson. Assim, suar a camisa com o objetivo de enxugar as medidas e buscar acompanhamento com profissionais certificados também está no top 20. Para ajudá-lo a decidir como malhar neste ano, vamos dar um giro sobre alguns dos campeões do ranking. Preparado?

  1. Treino intervalado de alta intensidade

Secar o corpo gastando apenas 20 ou 30 minutos. É o que promete a tendência vencedora de 2018. O treino, conhecido como HIIT nas rodinhas fitness, consiste em intercalar esforços na máxima intensidade com intervalos de recuperação. Um dos seus trunfos é detonar os quilinhos extras vapt-vupt. “Nesse tipo de exercício, queimam-se mais calorias por minuto porque a demanda de energia é maior”, justifica o médico Fernando Torres, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE).

O ponto fraco: aumenta o risco de lesões. Por isso, para garantir a segurança, o ideal é passar por uma avaliação com um profissional. “O tempo de execução dos exercícios, o período de descanso e os movimentos a serem realizados dependem do grau de condicionamento do praticante”, ressalta o educador físico Rafael Mathias Pitta, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

HIIT na prática

Um exemplo de treino para iniciantes — mas busque orientação

. Aqueça de 2 a 3 minutos.

. Faça uma pausa de 1 minuto.

. Comece a série com um exercício intenso (agachamento, polichinelo…) por 30 segundos.

. Descanse por 1 minuto.

. Volte a malhar de jeito intenso, trocando o exercício, se for o caso, por mais 30 segundos.

. Descanse mais 1 minuto.

. Repita o processo, a partir do passo 3, mais seis vezes.

  1. Atividades em grupo

Curte se exercitar com outras pessoas? Pois há um bom motivo para isso. Estudiosos da Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália, descobriram que optar por atividade física em conjunto pode melhorar a saúde emocional. Eles analisaram participantes que fizeram HIIT acompanhados e voluntários que correram ou levantaram peso sozinhos. Resultado? Após três meses, quem malhou em grupo viu o estresse despencar 26%. Só tome cuidado para, no entusiasmo, não acabar extrapolando seus limites.

  1. Dispositivos eletrônicos

Pulseiras que monitoram o coração, relógios que calculam o número de passos e até roupas que informam quanto seu músculo contrai durante um movimento. A tecnologia chegou para ficar na área fitness. Prova disso é que, no ano passado, esses aparelhos estavam no topo do ranking. A principal vantagem é a possibilidade de ter maior controle da prática esportiva. “Esses gadgets oferecem feedback imediato sobre a atividade realizada”, observa o educador físico Mauro Barros, professor da Universidade de Pernambuco (UPE).

  1. Treino com o peso do próprio corpo

Nos últimos anos, vídeos com gente se exercitando sem ajuda de equipamentos explodiram na internet. A onda leva até nome: calistenia. O objetivo é fazer as pessoas usarem apenas o próprio peso para malhar. As vantagens? Aumento de força, agilidade e flexibilidade. Fora que dá para treinar em qualquer lugar. No entanto, é preciso cuidado. “Dependendo do peso do praticante, a carga pode ser maior do que a recomendada para a musculatura. No exercício tradicional, com aparelhos ou pesos livres, isso seria ajustado”, pondera Torres

  1. Treino de força
  2. Busca de profissionais qualificados
  3. Ioga

Sim, essa técnica milenar figura entre as apostas quentes de 2018. Não surpreende. São inúmeros benefícios advindos da prática. Relaxamento, equilíbrio, definição muscular, força e coordenação motora são alguns deles. As posturas realizadas durante as sessões colaboram ainda para a respiração e a concentração.

“É uma modalidade completa, já que dentro de cada aula você consegue unir todos esses elementos, trabalhando-os da melhor forma possível”, defende Simone Murai, professora de ioga na academia Cia Athletica do Morumbi Shopping, em São Paulo. Em estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, a atividade se mostrou capaz de influenciar até os genes. Os cientistas levaram em conta dois grupos: um praticava ioga e meditação e o outro, nada. Após oito semanas, os iogues tiveram uma melhor resposta do DNA ao chamado estresse oxidativo, processo que, uma vez exacerbado, facilita o surgimento de doenças.

Ioga 2.0

Hoje há versões da modalidade para todos os gostos

Power Ioga

É uma variedade mais vigorosa, que intercala posições que exigem força e equilíbrio. Ideal para turbinar o condicionamento físico.

Hot Ioga

Realizada numa sala aquecida entre 38 °C e 40 °C, ajuda a relaxar a musculatura e a desintoxicar o organismo.

SUP Ioga

Inspirada no stand up paddle, propõe fazer as posições em cima de uma prancha no mar ou numa piscina funda.

  1. Personal training
  2. Programas fitness para os mais velhos
  3. Exercícios funcionais
  4. Exercícios de perda de peso
  5. Exercícios para tratar doenças
  6. Personal training em grupo
  7. Atividades ao ar livre

Se você é daqueles que não se sentem empolgados com a música alta e o barulho de anilhas das academias, há muitas opções lá fora. Parques, praças e praias podem se tornar o ambiente perfeito para movimentar o corpo.

“Exercitar-se ao ar livre permite o contato com diferentes paisagens e estímulos. Sem contar que há a possibilidade de tomar a quantidade de sol necessária para produzir vitamina D”, observa Bruno Gion, educador físico do Hospital Israelita Albert Einstein.

No entanto, passar filtro solar e caprichar na hidratação são cuidados imprescindíveis para a malhação outdoor não se transformar em problema. Evitar o período entre as 10 e as 16 horas também é bem-vindo por causa da alta radiação ultravioleta. “Vale ainda fugir dos ambientes com bastante poluição, como grandes avenidas”, orienta Gion.

  1. Rolos para flexibilidade e mobilidade

Já ouviu falar de foam rollers? São acessórios em forma de cilindro utilizados para massagear partes do corpo e estimular a circulação. Ajudam também a relaxar a musculatura e aumentar a amplitude de movimento das articulações. Essa técnica com rolos surgiu na década de 1920, mas só agora vem conquistando terreno.

Os cilindros podem ser de espuma, madeira ou borracha e, normalmente, são utilizados na parte baixa das costas, no quadril, nos músculos posteriores da coxa e no glúteo. Uma pesquisa da Universidade de Rhode Island, nos Estados Unidos, investigou o uso de rollers em atletas antes de eles treinarem. Resultado: a sensação de fadiga dos participantes diminuiu com os cilindros — segundo os pesquisadores, isso pode prolongar o tempo, o volume e os ganhos do treino.

  1. Certificação de profissionais da área
  2. Treino em circuito
  3. Wellness coaching

Mais do que uma modalidade de exercício ou um programa de saúde, essa é quase uma filosofia de vida orientada para o compromisso com o bem-estar. O método envolve um especialista (o coach) que auxilia o indivíduo (o coachee) a ganhar consciência sobre suas escolhas em relação a atividade física, alimentação e bem-estar. O objetivo é traçar metas no curto e no longo prazo de acordo com seus valores, necessidades e aspirações. Gostou da ideia e quer experimentar? É fundamental ter atenção ao escolher o expert que irá guiá-lo nesse processo. Como a profissão não é regulamentada nem necessariamente exercida por educadores físicos ou nutricionistas, vale se informar sobre o currículo do coach, sua trajetória e suas certificações.

  1. Core training

O core tem ganhado cada vez mais os holofotes no universo fitness. Se ainda não o conhece, vale aprender: ele forma uma das regiões mais importantes do nosso corpo, que inclui os músculos abdominais, da lombar, da pelve e do quadril. Não à toa, trata-se do responsável pela sustentação e estabilização durante praticamente todos os gestos que executamos.

Daí o motivo de focar no core. “Treinar a musculatura dessa região permite aumentar a estabilidade e a eficiência dos movimentos, além de melhorar postura e equilíbrio”, afirma Gion. Na verdade, vários enroscos seriam evitados se tivéssemos o hábito de incluir o treino para o core em nossa rotina de malhação. Afinal, quando ele está em ótima forma, há redução no risco de lesões nos joelhos e na região da coluna.

Core forte

A região pode ser trabalhada de diferentes maneiras

Ioga

Algumas posturas adotadas nessa prática ajudam a tonificar os músculos abdominais e fortalecer a lombar.

Pilates

Os movimentos de pelve e abdômen realizados nessas aulas contribuem para a ativação do core.

Funcional

Fortalecer o core é um dos pilares desse treinamento, que se baseia em movimentos de agachar, pular e girar.

  1. Treino voltado para um esporte

 

Acesse o link do Portal da Revista Saúde: https://saude.abril.com.br/fitness/exercicio-fitness-2018/