Com médicos e o público em geral compreendendo melhor o que é a medicina do exercício e do esporte, a cardiologia no esporte tem ganhado cada vez mais evidência. “Antigamente, havia uma visão equivocada de que o médico do esporte seria o mesmo que o médico do futebol ou o ortopedista que cuida de atletas. Na realidade, a especialidade é muito mais ampla do que isso. Seria o mesmo que achar que o ortopedista é o médico que cuida do joelho e que o cardiologista é o médico que cuida da pressão. Com esta compreensão, várias outras áreas da medicina do exercício e do esporte têm se destacado, incluindo a cardiologia do esporte, por ser uma importante subespecialidade dentro da medicina esportiva que ajuda a viabilizar a participação de atletas com problemas cardiovasculares, aliando desempenho a segurança clínica”, explica o cardiologista e médico do esporte José Kawazoe Lazzoli, membro da diretoria da SBMEE, que acredita que o cardiologista que obtém conhecimento mais aprofundado em medicina esporte só tem a ganhar. “A cardiologia trabalha muito com tratamento, mas também com prevenção; e não há instrumento mais poderoso para a prevenção cardiovascular do que o exercício físico. E, para ser corretamente utilizado, o exercício físico deve ser prescrito, tal qual um medicamento, e, obviamente, isso demanda conhecimento técnico específico”, completa o doutor José Kawazoe Lazzoli.

Outras vantagens de se especializar têm a ver com a alta concorrência profissional e as demandas atuais dos pacientes, como o desejo de usar suplementação, sair do sedentarismo, combater a obesidade e ter longevidade com qualidade. “O cardiologista que obtém o título de especialista em medicina esportiva passa a dominar mais um instrumento importantíssimo (que é o exercício físico) para trazer benefício para os seus pacientes. Isso parece simples, mas é bastante complexo, pois envolve uma avaliação clínica detalhada antes do início da prática de exercícios e a análise de eventuais sintomas que surjam com a atividade física. No caso dos atletas com alguma doença cardiovascular, é preciso saber quando restringir e quando liberar com segurança, afinal, uma restrição desnecessária pode ser tão prejudicial quanto uma liberação inadequada. Já entre os cardiopatas há a necessidade de determinar uma dose de exercício que seja ao mesmo tempo eficaz e segura. Isto demanda muito conhecimento técnico e atualização constante”, afirma o doutor José Kawazoe Lazzoli.

A importância da cardiologia no esporte é reafirmada até mesmo em estudos, como um recentemente publicado e que mostra o impacto econômico do sedentarismo no mundo. “Segundo essa estimativa, feita com base em um cálculo detalhado e muito bem fundamentado, o custo anual da falta de atividade física é de aproximadamente US$ 67 bilhões e meio por ano! Desse valor, aproximadamente US$ 53,8 bilhões são de custos de saúde e US$ 13,7 bilhões são de perdas de produtividade. Portanto, ademais do aspecto de saúde, do ponto de vista populacional, o exercício físico proporciona uma redução expressiva dos gastos na economia de um país, de um estado, de um município. Assim, a promoção de um estilo de vida ativo é amplamente lucrativa sob todos os pontos de vista para o governo”, comenta o cardiologista e médico do esporte, que fará uma conferência no 26º Congresso Pan-americano sobre o papel do exercício físico na redução do risco cardiovascular.