Na manhã de quinta-feira, os auditórios do Ouro Minas Palace Hotel receberam o público para conferir o segundo dia do Congresso.

“Um dos papéis do Congresso é a gente conseguir mobilizar quem lida com a saúde: médicos, educadores físicos, fisioterapeutas e nutricionistas de serem porta-vozes do exercício na promoção de saúde e com segurança. O sedentarismo está relacionado a 5,3 milhões de mortes anualmente no mundo”, declarou o presidente da Sociedade Mineira de Medicina do Exercício e do Esporte e cardiologista Marconi Gomes da Silva no Auditório C. Ele mostrou uma pesquisa sobre a utilização da bicicleta como modo de transporte em uma cidade montanhosa (no caso a capital mineira).

Com a sala lotada de participantes ávidos por novidades e detalhes sobre a preparação de jogadores do esporte mais popular do planeta, a mesa-redonda "Fisiologia do treinamento de futebol" foi dividida entre quatro especialistas no tema: Jimy Rocha, médico da Federação Sergipana de Futebol, Pablius Staduto Braga, vice-presidente da Sociedade Paulista de Medicina do Esporte e médico do esporte do Hospital Nove de Julho, Paulo Martino Zogaib, especialista em Medicina do Esporte e Fisiologia do Exercício e professor de Medicina Esportiva da Unifesp e Roberto Chiari Quintão, fisiologista do Clube Atlético Mineiro.

Quintão comentou a respeito da cobrança de alta performance, citando o calendário apertado de competições no Brasil. "Há uma pressão para o bom rendimento desde o início da temporada de jogos, e às vezes emendamos várias partidas sem conseguir recuperar o atleta, o que favorece lesões", exemplificou.

A participação em maratonas e a relação em quantidade de exercícios e benefícios para a saúde foram abordadas pelo médico do esporte Marcelo Leitão. “A Sociedade mineira conseguiu mobilizar bem o público para o evento, que ficou acima das nossas expectativas. Estou muito satisfeito com o resultado.”

Sob coordenação do pediatra e médico do esporte Carlos Eduardo Reis da Silva, ocorreu a mesa-redonda interativa "Início precoce da atividade física  competitiva". O contraponto foi dado por dois palestrantes: Caio Tasso Brêtas, titular da SBMEE e da SBOT e por Rosemary de Oliveira Petkowicz, médica do esporte.

Enquanto Rosemary defendeu a posição de que essa iniciação só deve ocorrer após a maturação sexual, Brêtas se posicionou à favor. "Está provado que, quanto antes é feita a inserção no esporte, maior a socialização e a forma de aceitar derrotas. Porém, isso deve ser feito de forma orientada e lúdica", resume Brêtas.

 Para Rosemary, há um prejuízo em atletas que começam antes do ideal. " Crianças que foram muito estimuladas a treinarem desde cedo acabam desistindo, ou por lesões, ou por ficarem estressadas", afirma.

O coordenador médico do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) Roberto Vital falou a respeito das preparações da equipe verde-amarela para as competições do Rio 2016, que ocorrem de 7 a 18 de setembro envolvendo 160 países, 22 esportes diferentes e 4.350 atletas estrangeiros, fora os brasileiros. "Teremos um centro de excelência, com uma estrutura completa, planejada durante vários anos. Nosso principal desafio é fazer com que o Brasil chegue no quinto lugar do ranking mundial", afirmou Vital.

 "Trabalhar com o paradesporto é algo que demanda muito dos profissionais. Ter boas ideias é importante, mas é vital escalar pessoas que realmente estão aptas a entender esse universo".

A mesa de discussão sobre “A Integração da Medicina do Esporte e Educação Física” teve a participação do presidente da SBMEE, Dr. Samir Salim Daher, Dr. Marcelo Leitão, o coordenador nacional de musculação e programas do grupo Bodytech, Marcelo Ferreira Miranda, docente do curso de graduação em Educação Física e de pós-graduação e diretor da Sportif e Waldyr Soares, fundador da Fitness Brasil. Os palestrantes falaram sobre integração. “Fazer com que as pessoas possam fugir do sofá não é fácil e temos o dado que somente 33% da população brasileira faz o mínimo recomendado pela OMS”. Entre os assuntos relacionados ao tema, alguns por vezes polêmicos, estava o atestado para a prática dos exercícios nas academias: “Somos contrários a alguns paradigmas, como por exemplo a existência do atestado tirar a responsabilidade do educador físico., disse Miranda.

 Outro tema abordado foi a academia para o idoso. Na opinião de Soares, não há acolhimento e muitas vezes certo preconceito nas academias para essa faixa etária. “A atividade física mudou a minha vida e vai mudar de outras pessoas, pois somos 20 milhões de pessoas acima de 60 anos”, disse. “Mas percebo que é complicado para o idoso. Eu mesmo procuro dar força àqueles que começam, muitas vezes com problemas de diabetes e hipertensão.”

 Mr. Cooper

 Mas quem roubou a cena foi, sem dúvida, o legendário Kenneth Cooper.

 Mr. Cooper chegou pela tarde com a esposa. Simpático, tirou fotos com os fãs e respondeu à imprensa.  Sua palestra no final da tarde lotou o auditório , que comportava mais lugares. Além da palestra Mr. Cooper conversou um pouco com a SBMEE e falou de sua trajetória desde 1969 quando iniciou sua  relação com o futebol, o desenvolvimento do método que leva o seu nome – e de como popularizou a ideia de que exercício físico é remédio. Aos 83 anos e dono de uma dos maiores centros de saúde do mundo, o Cooper Institute, ele exercita-se todos os dias, procura comer peixes e carne branca, mas não faz dieta. Enfatiza que o importante é fazer atividade física.

Por fim, houve uma apresentação de boas-vindas da SBMEE, com a execução do hino nacional. A mesa foi composta por parte da diretoria de entidade.

No final Daher agradeceu à diretoria e a recepção calorosa do público mineiro, além de fazer menção ao falecido Dr. Brazão. O presidente da SBMEE relembrou a trajetória da entidade, passando por momentos como as idas para Brasília em 2005 pela briga pela regulamentação da residência médica. “Conseguimos estabelecer a formação dos novos alunos como médicos do esporte que ocupam o seu espaço.